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Cultura Museus de Corrente

QUEM VIVE DE PASSADO É...?

Fonte de história, os Museus de Corrente agraciam o presente de todos com memórias, costumes e muitos relatos.

19/05/2021 18h00 Atualizada há 4 meses
Por: Memórias Narradas

 

Você sabia que no mês de maio é comemorado o Dia Internacional do Museu? Celebrado desde 1977 sempre no mesmo mês, porém em dias distintos a cada ano, a data foi instituída pelo Conselho Internacional de Museus, e esse ano a comemoração ficou reservada para o dia 18 de maio. Anualmente é escolhido um tema norteador para que os espaços culturais pensem em atividades com as quais pode se relacionar e interagir. Em 2021, o tema escolhido é “O Futuro dos Museus: Recuperar e Reimaginar”.  

Em regra, quando pensamos em Museus, logo imaginamos estruturas grandiosas com objetos antigos, também pensamos que esses Museus se encontram em grandes cidades bem distantes de nossa realidade. Todavia, em nossa cidade existem espaços dedicados a guardar e preservar a nossa história. Esta coluna será dedicada a apresentar mesmo que de maneira superficial os Museus existentes na nossa cidade.

Para revelar a história dos Museus, bem como apresentar os objetos preservados nos seus espaços contamos com a ajuda de Edilson Araújo Nogueira, pesquisador, escritor, professor de História e Direito e responsável por fundar o primeiro Museu de Corrente.

 

Atualmente existem quatro Museus em Corrente, o Museu de Corrente, o Museu Mãe Iracema, Museu do Instituto Batista Correntino e Museu da Casa da Cultura. Na cidade de Parnaguá, encontra-se o Museu Sesmaria Do Mocambo.

Museu de Corrente

O Primeiro Museu da Cidade de Corrente foi fundado em 1999, pelo Historiador Edilson de Araújo Nogueira. Conforme o fundador, o Museu possui mais de 5 (cinco) mil peças.

O Museu Corrente encontra-se na Universidade Estadual do Piauí, contudo todo o acervo pertence ao seu fundador, que espontaneamente disponibilizou para a visitação da população.

 

O espaço possui 3 (três) salas e foi projetado e inaugurado em 1999, os visitantes do Museu Corrente ao entrar no espaço é levado uma verdadeira viagem no tempo. Logo ao entrar, depara-se com uma urna funerária indígena, a peça de enorme valor histórico é única e foi encontrada no Município de Avelino Lopes – PI.

Peças desse tipo raramente são encontradas na nossa região, conforme Edilson de Araújo a única urna funerária indígena que foi encontrada na nossa cidade foi na região do Riacho Grande. Entretanto, a referida peça foi perdida.

A religiosidade não é esquecida, no Museu Corrente, encontram-se exemplares da arte santeira barroca, como a imagem de Nossa Senhora do Humildes, do século XVIII, que pertenceu a uma das primeiras mulheres sesmeiras da nossa região, Teresa da Cunha Carvalho.

No ala religiosa também existem oratórios, castiçais e outras peças do século XIX, com enorme valor histórico. O costume ainda hoje preservado, principalmente na zona rural de Corrente, de armazenar água em potes e estes ficarem em cima do ‘Banco de Pote’ é lembrado no Museu.

O Museu de Corrente, ainda, possui uma extensa coleção de moedas que vai do período colonial, com a famosa moeda chamada de pataca, passando por moedas do período imperial e da república velha.

No setor de armas e montaria o visitante é levado ao tempo em que as mulheres andavam na chamada ‘sela de banda’, os estribos eram fechados, a espada, o rifle e o punhal eram sinônimos de poder e valentia.

 

Peça valiosa é a carta de alforria (liberdade) de uma escrava datada de 1872, onde Mariana Benta de Souza e Januário Ribeiro de Souza, residentes na Fazenda Riacho dos Bois, libertavam a escrava Margarida, de 32 anos de idade. O documento é relevantíssimo para a história escravocrata correntina que pouco é lembrada.

Além dessas peças existem muitas outras, como fotos, talheres, Baús e telhas que remontam a fundação de Corrente. Todo esse acervo foi montando por Edilson de Araújo ao longo de 40 anos e contam um pouco da história de nossa cidade.

 

O Museu de Corrente encontra-se no catálogo nacional de museus do IPHAN.

 Museu Mãe Iracema

A saga começou com Sebastião Barros Filho, um dos maiores colecionadores do Piauí, detentor de um museu particular em sua casa, na capital piauiense.

 Aos 70 anos de idade, Sebastião Filho resolveu doar para a cidade de Corrente toda sua coleção, mais de 5.000 peças. Diante deste contexto, a família e descendentes de Sebastião de Souza Barros e Iracema Barros (in memoriam), reuniram o montante de R$ 1.500.000,00 reais e construíram a sede Museu Mãe Iracema.

O Museu foi construído no mesmo terreno onde se situava a casa do casal Germana Pacheco e Joaquim de Borges Pimenta, construída em 1912. O imóvel preservado foi doado por Ildete Barros que recebera por testamento de sua tia Joaquina Pacheco Pimenta.

 

 A família é mantenedora do Museu Mãe Iracema, e os visitantes pagam uma taxa simbólica de dois reais na entrada. O museu tem uma estrutura moderna, com acessibilidade para os cadeirantes, Pinacoteca, Biblioteca com um acervo de cerca de 300 livros, sala de reuniões, salas para minicursos, videoteca, sala de leitura, banheiros, cantinas, salas de restauração e loja de produtos artesanais feitos por artistas correntinos.

 

O Museu Mãe Iracema é patrimônio público estadual e municipal inaugurado em 2019 com exposição permanente e coleção genuinamente piauiense. No Museu o visitante encontra exposições de quadros, arte sacra – é possível admirar o sino original da Igreja Matriz N. S. da Conceição, do século XX-. Em outro departamento situa-se diversas peças de montaria e no terceiro andar uma ala exclusiva para o porcelanato, utensílios e móveis de casa.  Todas as peças são catalogadas e apresentam informações para o público.

 

Durante a pandemia, o museu está funcionado em horário regular e recebe variamente 40 visitas semanalmente de pessoas da terra e também turistas. O presidente da associação é Jailson Barros e possui Edilson Araújo como membro da diretoria.

Edilson de Araújo, que nos apresentou o Museu, destaca a grandiosidade e modernidade do espaço físico, bem como a riqueza histórica do acervo. Asseverou que o Museu Mãe Iracema é patrimônio da Cidade de Corrente, e está de portas abertas para receber as pessoas.

O Museu Mãe Iracema, também recebe doações de peças. Por ser uma fundação sem fins lucrativos, pode receber doações de ordem econômica com o objetivo de ajudar a manter o Museu.

Museu do Instituto Batista Correntino

Criado com o intuito de evocar uma cronologia histórica da instituição e sua contribuição em Corrente. No momento um novo espaço está sendo construído nos arredores do IBC e o ambiente será aberto para o público assim que possível. São recursos ricos, diversos e cheios de possibilidades para transmitirem um conhecimento educacional, social e religioso ligado à instituição que em 2020 completou 100 anos de fundação.

 

Museu Casa da Cultura

A Casa da Cultura foi construída partir de um convênio entre a então Secretaria de Cultura, Desportos e Turismo do Piauí e a Prefeitura Municipal de Corrente.

O espaço foi inaugurado em 1986 e reformada/modernizada em 2018. Provavelmente é o espaço cultural mais conhecido pelos habitantes de Corrente, devido às diversas atividades que já foram desenvolvidas no local.

 

O espaço conta com teatro, sala de eventos, biblioteca, exposições de quadros de artistas correntinos, Café Bar e o Museu que detém mais de 100 peças doadas. Atualmente, seu acervo museológico está sendo reestruturado. Objetos que contam o dia a dia dos nossos antepassados, expressa memória, reflete nossa sociedade e faz homenagem a tradição cultural do povo de Corrente.

Entre os objetos encontram-se documentos históricos, imagens religiosas e objetos domésticos.

            Museu Capela da Sesmaria do Mocambo

O Museu encontra-se no município de Parnaguá – PI e foi fundado há cerca de 10 (dez) anos por iniciativa de Edilson de Araújo. O espaço encontra-se dentro da Capela de Nossa Senhora do Rosário.

A história do local onde se encontra o Museu confunde-se com a história de nossa região, a sesmaria do Mocambo foi doada pelo Império português a José da Cunha Lustosa, ainda no século XXVIII. No local foi fundada a sede da Fazenda Brejo do Mocambo e construída a capela primitiva que ruiu no início do século XX.

Dentro da capela primitiva foram enterrados o próprio José da Cunha Lustosa, sua esposa e diversos descendentes. As lápides de mármore dizem o nome de cada um que se encontra sepultado no local.

Sucede que, após a capela primitiva desabar, o local foi abandonado, uma mata nasceu e cresceu no local. Somente em meados deste século, que o fundador do Museu, Edilson de Araújo e diversas outras pessoas começaram a escavar o local. Após escavar cerca de um metro, foi encontrado o piso da antiga capela, em ladrilho, espécie de cerâmica antiga.

Continuando as escavações foram encontradas as lápides de diversas pessoas, dentre eles José da Cunha Lustosa, primeiro sesmeiro e fundador da Fazenda Brejo do Mocambo, bem como do Barão do Paraim, seu descendente direto. Após as descobertas, sobre a antiga foi erguida uma nova capela, na qual se encontra o Museu.

O local conta a história dos primeiros sesmeiros do Piauí. Dentro do Museu encontram-se objetos do período colonial e imperial. Ao redor pode-se ver o antigo tronco onde os escravizados eram punidos.  Na foto abaixo os alunos do 9° ano e professores da Escola Municipal Claudenor Rodrigues de Melo da localidade Fazenda de Cima, município de Corrente, que fizeram uma visita técnica e guiada por Dr. Edilson Araújo em 2018.

 

Os Museus aqui apresentados representam um repositório de séculos, simbolizam importantes meios de intercâmbio cultural, que precisam ser vividos e visitados pós-pandemia.

Os Museus estão em constate atualização, assim, doações são sempre bem-vindas, uma vez que podem contar e representar uma história que a população desconhece. Nesse sentido, se você tem algum objeto antigo que queira doar aos Museus aqui apresentados, procure por esta coluna através de suas redes sociais, bem como Edilson de Araújo, fundador do Museu de Corrente.

 

 

 

Colunistas: Laís Fernandes, Gabriel Alves e Kelvys Louzeiro

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O projeto 'Memórias Narradas' surgiu do interesse em resgatar a história de pessoas, famílias, patrimônios materiais e imateriais de nossa região, sobretudo Corrente. Com especial atenção para memórias não contadas ou pouco conhecidas que reservam-se ao seio familiar ou local, a partir desse escopo iremos escrever mensalmente, pelo menos duas colunas no portal “ Repórter Alessandro Guerra”, bem como publicaremos por meio do Instagram (@memoriasnarradas) fotos e vídeos.
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